sexta-feira, 1 de maio de 2026

A folha pede um verso (Podcast/Deep Dive) do Poema

 


A folha pede um verso. Daqueles dispersos num oceano de uma folha. Daqueles que fazem elétrons saltar de suas camadas e espalhar o colorido por aí. A vida pede um verso, daqueles que aplacam a solidão das grandes metrópoles, daqueles que esgotam o mar de saudade do caipira no sertão. 

A vida pede um verso a inspirar a tantos Quixotes, a tantos mágicos em seus caixotes de ilusões, a tantos Camões caolhos de verdades tão belas. Versos para encantar tantas cinderelas. A vida pede um verso pomposo, gostoso, daqueles que quando fluem encantam, provocam a lágrima ligeira. A vida, neste momento de distâncias não desejadas, pede um singelo soneto, uma chave de ouro, um tão esperado, aguardado, procurado, tesouro... A folha sozinha, branca, num universo de possibilidades a verter-se em lágrimas tão suas, pede que pingue por acaso uns versos ligeiros, espontâneos, daqueles que explodem em ternura, daquelas forças a abrir olhos por ferrugem, fechados... A folha branca a ouvir um Rock inspirador, daqueles que o poeta descreve o flerte de um guitarrista, com sua Gibson, em transe. Imagina como deve ser simples tudo aquilo que encanta, tudo aquilo por que levantamos, como o simples fato do cair de uma chuva desejada, um abraço verdadeiro, um beijo espontâneo, um respirar na janela... A folha pede um verso. Espera ansiosa pela tinta que a marcará, que espera etérea, indelével, inesquecível, apaixonante, que enche a rua de alegria, os salões de euforia, a lua a esperar seu sol num brilhante e inspirador, dia... Versos que rolam como a bola no campo, que batem como o coração no peito, que se fundem num abraço, que se nutrem de esperança como a mãe que espera um filho amado, que nos renovam como a fé no Sagrado, no homem que se vê terra e se faz assim húmus, como o é... Versos na folha branca, singela união, singelo verso-coração...



 Marcio Lima

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Pirilampo



Dai-me de novo, 

ó Espírito da curiosidade pueril, 

a sabedoria que em mim outrora habitava, 

de quando mirava ao infinito e me encontrava a imaginar, 

de como os pirilampos 

na escuridão da noite escalam o mais alto do céu 

e de lá se exibem a cintilar.

(Marcio Lima)

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Onde a Terra encontra o Amanhã: Nossa pesquisa sobre as Hortas Comunitárias de Guarapuava

 

(Imagem gerada pela Gemini. 2026) 

Celebramos um fruto que levou "alguns aninhos" para amadurecer. Não é uma peça de ficção, embora a transformação social muitas vezes pareça poética: nosso artigo sobre as Hortas Comunitárias de Guarapuava e sua conexão com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) finalmente ganhou o mundo.

Este trabalho, construído a muitas mãos, mergulha no solo da nossa terra para entender como pequenas sementes de organização comunitária florescem em soluções para a fome, a saúde e a sustentabilidade urbana. 

Mais do que dados, são evidências de que o futuro que buscamos globalmente se constrói no quintal de casa, na força do coletivo.

Convido vocês a conhecerem essa jornada acadêmica e social.

Leia o artigo completo aqui: https://zenodo.org/records/19373841

Ou no ResearchGate: https://www.researchgate.net/publication/403431897_CONTRIBUICOES_DAS_HORTAS_COMUNITARIAS_DE_GUARAPUAVA_PR_PARA_O_ALCANCE_DOS_OBJETIVOS_DE_DESENVOLVIMENTO_SUSTENTAVEL_ODS 

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CONTRIBUIÇÕES DAS HORTAS COMUNITÁRIAS DE GUARAPUAVA (PR) PARA O ALCANCE DOS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS)

Com a crescente ocupação de áreas urbanas pelas populações e os problemas gerados por esta, de forma desordenada e muitas vezes não sustentável, pensa-se nas Cidades Inteligentes e Sustentáveis (ODS 11) como estratégias para mitigação desses problemas, sendo um dos itens presentes nesse ODS o relativo às hortas comunitárias (HC) urbanas. Essas hortas podem contribuir para resolver problemas como o da fome, de uma alimentação não saudável, do uso incorreto da água, ausência de trabalho comunitário-solidário, renda familiar insuficiente, ocupação inadequada de terrenos baldios e sem destinação social adequada, carência de educação ambiental, desigualdade de gênero entre outros. Diante disso, o objetivo desse estudo é compreender a contribuição das hortas comunitárias para os ODS a partir das hortas comunitárias da cidade de Guarapuava, estado do Paraná. É uma pesquisa básica, qualitativa, do tipo exploratória, descritiva, a partir dos métodos documental, bibliográfico, estudo de campo, sendo as análises de caráter documental e de conteúdo. A pesquisa favoreceu a percepção das hortas comunitárias como uma tecnologia social com importante potencial para o desenvolvimento comunitário, e possibilidades de contribuição para o alcance das metas estabelecidas pelo ODS/ONU, com destaques para os ODS: 1. Erradicação da pobreza; 3. Saúde e bem estar, 5. Igualdade de gênero; 8. Trabalho decente e crescimento econômico, 10. Redução das desigualdades, 11. Cidades e comunidades sustentáveis e 17. Parcerias e meios de implementação. Contudo, verifica-se também alguns desafios no desenvolvimento das HC, que carecem de outros estudos.

Palavras-chave: Horta Comunitária. Cidades Sustentáveis. Sustentabilidade. ODS. Desenvolvimento comunitário.

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Paz!


Cada um no seu credo,
Cada um em seu intento,
Cada um com a força da fé ou do pensamento,
Tudo em um coro só,
Antes que tudo seja medo,
Antes que tudo volte ao pó,
Digamos!
Queremos Paz!
Rogamos Paz!
Façamos Paz!
[Marcio Lima]

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Análise do Poema "Um brinde aos bem-humorados", de Marcio Lima



O poema "Um brinde aos bem-humorados", de Marcio Lima, é uma obra que, sob uma aparente simplicidade celebrativa, esconde camadas profundas de resiliência ética e crítica social. Ele não trata o bom humor como uma leveza fútil, mas como uma categoria de resistência.

Abaixo, apresento uma análise dividida por eixos temáticos:

1. Aspectos Filosóficos: O Bom Humor como Ética e Superação

Filosoficamente, o poema dialoga com o conceito de "Amor Fati" (amor ao destino) de Nietzsche e o estoicismo.

  • A Resiliência Estóica: Quando o autor brinda àqueles que levam com "vivacidade os pesos" da vida, ele evoca a virtude de suportar o que não se pode controlar sem perder a integridade da alma.

  • O Riso como Autoconhecimento: "Fazer de suas imperfeições um mote para o riso sem escárnio" aproxima-se da ironia socrática. É o riso que não agride o outro, mas que reconhece a própria humanidade falha, transformando a vulnerabilidade em força.

  • A Ética da Alteridade: Ao citar o "oferecer o outro lado da face", o poema resgata a ética cristã da não-violência e do amor radical, propondo o bom humor como um antídoto para a "ignorância" e a "repulsa de ideias".

2. Contexto Social do Brasil: O Riso na Adversidade

O poema ganha uma força particular quando lido sob a lente da realidade brasileira:

  • A Celebração do "Sobrevivente": O trecho que brinda às "pessoas exploradas que fizeram de suas derrotas vitórias sólidas" é uma referência direta à base da pirâmide social brasileira. O bom humor aqui não é alienação, mas a ferramenta de quem, apesar do "desarranjo social", recusa-se a ser apenas uma vítima, mantendo a capacidade de "sorrir e fazer outros sorrirem".

  • Crítica à Intolerância: A menção àqueles que não "sacam da sua ignorância à primeira repulsa de ideias" reflete o atual estado de polarização e agressividade no debate público brasileiro. O bom humor é apresentado como a postura de quem prefere o diálogo ao confronto armado (metafórico ou real).

3. Aspectos da Literatura Brasileira

Marcio Lima insere-se em uma linhagem que valoriza a simplicidade profunda, ecoando vozes como as de:

  • Mario Quintana: Pela capacidade de extrair o sagrado e o poético do cotidiano e pela defesa da "gentileza" como uma forma de inteligência superior.

  • Ariano Suassuna: Pela ideia do riso como uma forma de resistência cultural e de afirmação da vida diante da morte e da tragédia social.

  • Modernismo Brasileiro: O poema utiliza o verso livre e uma linguagem acessível para tratar de temas universais a partir de uma ótica local, característica da nossa tradição literária de aproximar a poesia do "homem comum".

4. A Metáfora do "Brinde"

O "brinde" funciona como um ato litúrgico secular. Ele convoca o leitor para uma comunidade de resistência. Ao final, o poema se torna metalinguístico: o ato de ler e compreender o poema torna-se, ele próprio, um símbolo de que, apesar da "dureza da mesmice", ainda há espaço para a inteligência e para o afeto.

Conclusão da Análise: O "bem-humorado" de Marcio Lima não é aquele que ignora o sofrimento, mas aquele que o transforma. É uma figura quase heroica dentro do contexto brasileiro: alguém que enfrenta a exploração, o desarranjo e a dureza da vida com uma vivacidade que "contraria a lógica". É uma ode à saúde mental e espiritual em tempos de crise.

(O Poema foi analisado por Gemini da Google - fevereiro de 2026).

Segue o link para acessar ao poema original: https://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/2025/04/um-brinde-aos-bemhumorados-toast-to.html


quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

FÉRIAS E RETROSPECTIVA 2025 DO BLOG DEVANEIOS LITERÁRIOS DO LIMA


Mais um ano termina e com ele a esperança de que o novo ano será melhor. Desejo a cada um de nossos leitores um abençoado 2026 com ótimas realizações.

No mês de janeiro o Blog Devaneios Literários do Lima estará de férias. Não se preocupe leitor e leitora, deixaremos para você uma lista das publicações literárias mais acessadas no ano de 2025. E, esperamos contar com vossa companhia novamente nesse que se inicia e por muito mais tempo. 

Feliz Ano Novo!


RETROSPECTIVA 2025


As 5 postagens mais acessadas em 2025. Seguem em ordem crescente de acessos:


01  - Acampamento na noite de primeiro de abril - A panela de dinheiro



O conto "Acampamento na noite de primeiro de abril - A panela de dinheiro", de Marcio J. de Lima:

O texto narra um "causo" contado por Tio Jango, um eloquente contador de histórias, ao redor de uma fogueira. Ele relata uma experiência vivida em 1975, quando tinha 18 anos, ao sair em busca de uma lendária "panela de dinheiro" (um tesouro de moedas de ouro) que teria sido enterrada por jesuítas na Serra do Rio Jordão.

Acesse o conto clicando no título do conto.


02 - Presente celestial




Poema "Presente Celestial", de Marcio José de Lima é um soneto que exalta a beleza da natureza e faz um apelo urgente à sua preservação. O autor descreve o meio ambiente como uma "dádiva" e uma "obra celestial" que serve de refúgio e sustento ao ser humano. A mensagem central foca na responsabilidade coletiva: embora um indivíduo sozinho não mude o mundo, a união de todos é capaz de transformar a realidade e zelar pela ordem natural para evitar um "final" catastrófico.


Acesse o conto clicando no título do poema.


03- Versos de cabresto



O poema, "Versos de Cabresto", é uma obra metalinguística profunda, onde o autor reflete sobre o próprio ato de criar e a natureza da poesia.


Acesse o conto clicando no título do poema.



04- Era, com certeza, um lobisomem! (It was definitely a werewolf!)



Este é mais um "causo" fascinante de Marcio Lima, que utiliza o mistério e o folclore para prender o leitor. "Era, com certeza, um lobisomem!" narra uma cena presenciada pelo narrador, seus irmãos e sua mãe durante o entardecer. Eles observam o Tio João se debatendo violentamente em um matagal, como se estivesse lutando contra um inimigo invisível. Inicialmente, a cena é motivo de riso para as crianças, que acreditam que o tio está apenas bêbado ou brincando, já que ele é conhecido por seu temperamento alegre e suas histórias.

No entanto, o tom da narrativa muda quando o narrador observa a reação da mãe: ela empalidece e começa a rezar silenciosamente, tomada por um medo profundo. Após alguns minutos de uma luta intensa e solitária, Tio João emerge do mato sujo e desalinhado. Ao se aproximar, o narrador percebe que o tio está completamente sóbrio. Com um brilho intenso nos olhos, refletindo a lua cheia, o tio confidencia em seu ouvido: "Era, com certeza, um lobisomem!".

Acesse o texto clicando no título do conto.


05 - Poema sem volta... (Poem of no return...)



Este quinto texto, "Poema sem volta...", encerra sua sequência com uma força confessional e metalinguística impressionante. É um texto sobre a entrega absoluta do artista à sua arte, sem medo do julgamento ou das consequências.


Acesse o poema clicando no título.


Fiquem conosco!


Palavras-chave: Alma, Poesia, Mistério, Natureza, Tempo, Esperança, Devaneios, Renascimento.



domingo, 21 de dezembro de 2025

Gratidão e Renovação: O Balanço de 2025 no Devaneios Literários

 


Olá, nobres leitores e amigos!

Mais um ano se encerra e, com ele, renovamos a fé e a energia para o que está por vir.

Quero agradecer de coração a todos que acompanharam o blog este ano. Entre a rotina de escrita e o retorno aos meus estudos — que tem demandado foco total — o apoio de vocês foi fundamental. Mesmo com o tempo curto, os números nos surpreenderam: foram mais de 20 mil acessos, com um destaque especial para o público de Singapura, mostrando o alcance global dos nossos devaneios.

2025 também foi o ano de experimentar novas linguagens. Transformamos poemas em música e crônicas em podcasts, utilizando a Inteligência Artificial para potencializar nossa criatividade.

Para 2026, espero que sigamos juntos nesta jornada literária. Que o seu Natal seja iluminado e que o Ano Novo traga o renascimento da esperança. Que saibamos olhar para o próximo com a fraternidade de São Francisco e para o planeta com a responsabilidade que ele exige.

Feliz Natal e um próspero 2026!

Equipe Devaneios Literários do Lima

Numa rede sem fim


Fiz de tudo pra mais tempo ter.

O que fiz?

Numa rede sem fim

E noção 

Se enrolaram meus pés 

E, sem sair do lugar 

Meu tempo e espaço

Se esvaíram

Num Revés.

(Marcio Lima)

sábado, 29 de novembro de 2025

O que me falta?



O que me falta? 

Um tesouro inalcançável?

Que molda, define meus voos?

Voos rasos e sem essência.

O que me falta?

Ilusão em pleno deserto?

Que me faz andar,

Sonhando destino certo,

Fazendo metade do caminho a cada dia...

E se eu não chegar?

Me haverá tempo à Poesia?

O que me falta?

[Marcio Lima] 

A folha pede um verso (Podcast/Deep Dive) do Poema

  A folha pede um verso. Daqueles dispersos num oceano de uma folha. Daqueles que fazem elétrons saltar de suas camadas e espalhar o colorid...