domingo, 17 de novembro de 2013

OLHOS BRANCOS




Um frio corre-lhe a espinha... Aquela ponte do Rio Coutinho em Guarapava nunca fora tão extensa. Donde veio aquele vulto que se movia solitariamente ao meio da escuridão de uma área inóspita e distante da cidade? Movia-se a passos firmes e lentos no acostamento da ponte... Aqueles olhos brancos... Aquela figura toda encoberta de barro, como se estivesse com roupas rotas qual uma múmia saída do Rio, a fitar à distância com seus brilhantes olhos que estão alertas ao clarão da luz alta dos faróis do carro. Ele se aproxima lentamente à sua direção. E o tempo quase paralisado parece não passar. A luz de seu veículo é baixada para não ofuscar a visão do motorista que vem na outra pista.. . A figura ao meio da ponte, à troca de luz, desaparece... Sua razão não entende. Mas não ousa perguntar neste momento... seus pêlos se eriçam ainda mais... Qual seria a pergunta? Qual seria a resposta? Fala lentamente à esposa que lhe faz companhia “Para onde foi aquela figura?” A mesma com voz quase sumida lhe responde “Não sei! Você também viu?” O silêncio impera. A resposta não vem...
(Marcio J. de Lima)
Imagem obtida em:http://www.assombrado.com.br/2013/04/olhos-na-escuridao.html

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