terça-feira, 12 de maio de 2026

Yes, one day we will evolve... (Sim, um dia evoluiremos...)

 

The day will come when we will be so evolved that even before we are born, our sex will already be defined, along with the color of our eyes, hair, and skin, our height, weight—even our favorite team will be chosen. Our partner will share the same fate. At every age, we shall have a specific chip with every program we need to live through that stage of life.

Before us, we will be able to access the most varied clips, games, TV channels, curiosities, formulas, paths, zip codes, etc... all implanted and replaced at every moment of our lives...

Schools? Ah, the schools... What to do with them? They could be a place to play, a playground, or perhaps the place where the notorious chip is implanted.

We will possess a program that reads our health, all pre-programmed into the famous chip. Before we even fall ill, we will already have the medicine to prevent any ailment that might afflict us or attack our "machine"...

Depression... there will be none. When it even thinks of knocking on our door, an infinite combination of algorithms will place a myriad of solutions before us, and, of course... we will choose the most viable one, ranging from listening to a delightful piece of music—perhaps Beethoven’s Fifth Symphony—to navigating the most distant galaxy through our monitor-eyes, made of the most advanced quantum particles...

Love? An... Ah... love? Let’s see... Love... How to replace it? Perhaps we will be so identical that it will no longer need to exist... at least not as we know it... It might be a bug that would bother us so... so much... so very much! That no algorithm would be capable of understanding it, due to its extreme simplicity... There would be no other way... Delete everything and restart the system.

Perhaps we would think... Love... is something for humans, it will be difficult to create such a program... and who will teach it to the machines? You can teach them almost everything... but Love... perhaps that is impossible.

(Marcio Lima)

 

You can find the original text at (O texto original você encontra em): https://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/2015/07/sim-um-dia-evoluiremos.html

terça-feira, 5 de maio de 2026

O Flagelo sob a Lua de Prata



A tarde agonizava em tons de púrpura quando avistamos a silhueta do tio João no caminho. À primeira vista, o quadro era de um ridículo quase cômico: ele se debatia sozinho, os braços agitando-se contra o ar como se conduzisse uma orquestra invisível ou, como supusemos entre risos contidos, se entregasse a mais um de seus excessos etílicos. Meus irmãos e eu, embriagados pela crueldade inocente da infância, mal conseguíamos conter as gargalhadas.

De repente, o movimento tornou-se frenético. João mergulhou no matagal denso, travando uma luta feroz contra um adversário que nossos olhos não alcançavam. O que gelava o sangue não era o que víamos, mas o que não ouvíamos: não havia grunhidos, nem o estalar de galhos secos, nem o rosnar de uma fera. Apenas o silêncio pesado da penumbra, interrompido pelos espasmos de um homem que parecia ser devorado pelo vazio.

Minha mãe surgiu à soleira da porta, o sorriso ainda esboçado no rosto. Mas, em um átimo, a alegria foi drenada de suas feições. Vi a palidez marmórea tomar sua face enquanto seus olhos — outrora ternos — se perdiam em um terror antigo, um medo que parecia vir de gerações passadas. Seus lábios moviam-se em um sussurro inaudível, uma prece desesperada que apenas as mães proferem quando sentem o hálito da morte por perto.

Enquanto rolávamos pelo chão, alheios ao abismo, João soltou um grito que rasgou o crepúsculo. O riso morreu na garganta de todos. Minha mãe persignou-se, a mão trêmula desenhando a cruz no peito.

Ele emergiu da vegetação, coberto pela poeira da estrada, os cabelos em desalento. Olhou para o mato por um longo instante, como se vigiasse a retirada de uma sombra, e caminhou em nossa direção. Naquela rua deserta, o herói de nossas histórias infantis — o homem invencível que sempre superava os obstáculos de cabeça erguida — parecia agora um náufrago da própria sanidade.

Agradeci mentalmente por não haver estranhos por perto para testemunhar tamanha ruína. Ele parou diante de nós, a respiração pesada.

— Vocês viram? — perguntou ele, a voz num fio de navalha.

— O quê, Tio? — respondi, tentando forçar uma normalidade que já não existia.

Ele se inclinou, aproximando o rosto do meu. Não havia o odor acre da cachaça, apenas um bafo quente e denso que me subiu à espinha. Seus olhos não eram mais os do tio brincalhão; eram espelhos que refletiam o brilho sobrenatural da lua cheia que ascendia no horizonte. Com um fervor quase religioso e um olhar flamejante, ele sentenciou em meu ouvido:

— Era, com certeza, um lobisomem!

(Marcio Lima)

 Texto Revisto. O original você encontra no link abaixo: https://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/2025/08/era-com-certeza-um-lobisomem-it-was.html



sexta-feira, 1 de maio de 2026

A folha pede um verso (Podcast/Deep Dive) do Poema

 


A folha pede um verso. Daqueles dispersos num oceano de uma folha. Daqueles que fazem elétrons saltar de suas camadas e espalhar o colorido por aí. A vida pede um verso, daqueles que aplacam a solidão das grandes metrópoles, daqueles que esgotam o mar de saudade do caipira no sertão. 

A vida pede um verso a inspirar a tantos Quixotes, a tantos mágicos em seus caixotes de ilusões, a tantos Camões caolhos de verdades tão belas. Versos para encantar tantas cinderelas. A vida pede um verso pomposo, gostoso, daqueles que quando fluem encantam, provocam a lágrima ligeira. A vida, neste momento de distâncias não desejadas, pede um singelo soneto, uma chave de ouro, um tão esperado, aguardado, procurado, tesouro... A folha sozinha, branca, num universo de possibilidades a verter-se em lágrimas tão suas, pede que pingue por acaso uns versos ligeiros, espontâneos, daqueles que explodem em ternura, daquelas forças a abrir olhos por ferrugem, fechados... A folha branca a ouvir um Rock inspirador, daqueles que o poeta descreve o flerte de um guitarrista, com sua Gibson, em transe. Imagina como deve ser simples tudo aquilo que encanta, tudo aquilo por que levantamos, como o simples fato do cair de uma chuva desejada, um abraço verdadeiro, um beijo espontâneo, um respirar na janela... A folha pede um verso. Espera ansiosa pela tinta que a marcará, que espera etérea, indelével, inesquecível, apaixonante, que enche a rua de alegria, os salões de euforia, a lua a esperar seu sol num brilhante e inspirador, dia... Versos que rolam como a bola no campo, que batem como o coração no peito, que se fundem num abraço, que se nutrem de esperança como a mãe que espera um filho amado, que nos renovam como a fé no Sagrado, no homem que se vê terra e se faz assim húmus, como o é... Versos na folha branca, singela união, singelo verso-coração...



 Marcio Lima

Yes, one day we will evolve... (Sim, um dia evoluiremos...)

  The day will come when we will be so evolved that even before we are born, our sex will already be defined, along with the color of our ey...