Durante o mês de janeiro o blog Devaneios Literários do Lima estava em férias e não te deixou sem conteúdo, procurou trazer para você o que mais se acessou no blog em 2024.
Com 139 acessos durante o ano de 2024, este texto também foi o mais acessado no ano de 2023, repetindo o mesmo feito no ano que se passou. Talvez, pela atualidade do tema aqui abordado, bem como de sua importância a qual perpassa pelo ideário do nacional brasileiro, das tantas injustiças sociais cometidas a nossos ancestrais e, atualmente sendo necessário conhecer mais esses povos, sua cultura e suas tecnologias de preservação ambiental, diante do aquecimento global e a necessária recuperação do verde e a preservação de sua flora e fauna diversos, bem como da ensinamentos que procuram a harmonização do homem com a natureza, frente desse aquecimento global e a possível escassez de recursos naturais para a nossa e as futuras gerações.
Enfim, nosso agradecimento a você querido e continue conosco!
Fique com o 1º texto, que é uma análise superficial da: “Música “Um índio” de Caetano Veloso, algumas impressões. (Song “Um Índio” by Caetano Veloso, some impressions)”.

(Marcio Lima)
No poema/música em questão, Caetano Veloso trabalha com a temática indígena, reatualizando alguns de seus aspectos histórico-mitológicos. A temática, do indígena tratado como herói; símbolo de uma nação que por muito tempo esteve subjugada a um domínio de colonização; esteve presente durante o Arcadismo brasileiro, retomado pelos escritores românticos e reafirmada pelos modernistas. Ao reatualizar esse tema, Caetano provê, poeticamente falando, este herói de alguns recursos tecnológicos, mas que supera os advindos das descobertas da ciência moderna, dando-lhe características fantásticas, típicas dos heróis mitológicos.
Também ainda, nesse poema, Veloso situa a qual nação indígena refere-se a aparição desse ser heróico-mitológico, os do coração do hemisfério sul, na América (do Sul) em um ponto equidistante entre os oceanos Atlântico o Pacífico. A referência temporal não é em qualquer momento, é em um claro instante, logo após exterminada a última nação indígena. Podendo-se assim inferir que seria em um momento de luz, esclarecedor. No entanto, poderia ser relativo ao do extermínio físico dos indígenas ou pela miscigenação dos mesmos e do desaparecimento de suas características culturais. Enfatizando para o fato do possível extermínio desses povos, bem como de sua cultura. E, a luta desigual para permanência dessas nações coabitando com a dita “civilização”.
Há ainda, uma intertextualidade às escrituras bíblicas, em que há a relação ao messias que voltará no fim dos tempos. Esse voltar, relativo ao índio, poderia ter talvez a relação com o próprio Cristo, o qual àquele adquire sua semelhança, que se compadece com os mais fracos, com os explorados, com os dizimados pela exploração ou expropriação de suas terras e ou riquezas. Essa ideia é reforçada na parte em que Caetano Veloso diz “virá que eu vi”. Veloso, pelo seu eu-lírico, assume um papel do profeta, que vê algo grandioso acontecer antes do seu tempo. Isso tudo, pode ser reforçado pelas predições do personagem Peri, herói do livro Iracema de José de Alencar, citado na música, quando afirma: “ — Tu viverás!... Cecília abriu os olhos, e vendo seu amigo junto dela, ouvindo ainda suas palavras, sentiu o enlevo que deve ser o gozo da vida eterna.” (Alencar, 1857)
Retomando a temática, o índio como herói. Isso aconteceu muito quando de nossa história, nos momentos relativos à busca pela identidade do povo brasileiro, em que a “criação” literária desse herói representasse esse povo e sua força identitária. Isso é retomado no poema de Caetano, quando citou Peri, o qual possui habilidades sobre-humanas da força, proximidade com Deus (Cristão), lealdade ao seu amor Ceci (amada Europeia, filha de D. Antônio Mariz) e o poder de conversar e interagir com natureza, reatualizando por esses aspectos o mito do herói nacional brasileiro.
Caetano Veloso ressalta quais são as características desse herói de nossos dias, de fim de século XX sendo: impávido, tranquilo, apaixonado por seus ideais e que buscará a paz.
Assim, Caetano conclui em seu poema que este herói esteve sempre presente, nunca desapareceu e sua presença é óbvia, podendo-se concluir que o mesmo vive em nós através da miscigenação, da aculturação com outros povos ou nações, entre eles o negro, quando cita os termos “afoxé, axé” palavras de origem africana. Essa mistura racial, tornou o povo brasileiro apaixonado pela natureza e suas belezas, tanto cantadas por nossos poetas, bem como de seu “poder” de superar todas as forças que poderiam dissuadir um pensamento nacional, no qual o indígena sempre, para nós brasileiros, será uma forte referência de nossa nacionalidade.
Este texto fala sobre a temática do indígena, enquanto ser real ou mitológico idealizado por nossos poetas, cronistas ou estudiosos de diversas áreas do saber…
Esse texto trabalha com a música/poema de Caetano Veloso “Um índio”, todavia, perpassa outros textos como os bíblicos, literários, por ex. de José de Alencar, outros relatos históricos e outros. O foco está na construção de uma nação miscigenada, rica em sua diversidade e que possui um potencial cultural muito grande a ser explorado e/ou investido. Também, chama atenção para algumas injustiças que ocorreram no passado, como a quase extinção de nossos indígenas e os ainda presentes conflitos por terra, pela inserção de uma nova cultura, entre outros. Outras interpretações podem ser deduzidas por ti, querido leitor, essas foram apenas algumas impressões do autor do texto.
A tipologia textual pode ser caracterizada como ensaio acadêmico ou literário.
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Nosso muito obrigado em um feliz 2025!