quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O gênio...

 Luminária, Gênio, Aladim, Ficção, Fantasia, Árabe

Disse o gênio: dar-te-ei toda sabedoria a que pediste neste único pedido. Aceitas?
O jovem resolvido sabendo que através dela conquistaria o mundo, aceitou.
O gênio deu-lhe uma única missão. Cuidarás desta fera diariamente, alimentando-a e dando-lhe de beber.
Fechado. Falou o decidido jovem...
E assim se fez... Desde então ele conseguiu tudo o que queria e podia lhe fazer feliz...
Mas, passado o tempo e ocupado com suas vitórias, esqueceu-se de alimentar a fera.
E eis que em uma noite de lua cheia, a mesma escapou e devorou e destruiu tudo o que podia...
Antes de chegar ao jovem, saciada, repousou... O mesmo vendo tudo que possuía destruído, enlouqueceu, e matar a fera desejou... E fê-lo... Com um golpe na cabeça aniquilou-a. Ao último suspiro da besta, os corações de  ambos pararam de bater. E, príncipe e fera padeceram frente à frente... Observava, com olhos de profunda satisfação, o gênio assentado na mais bela pedra que o reino possuía...
Guarapuava, 05 de setembro de 2018.
(Marcio de Lima)

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sábado, 25 de agosto de 2018

Quando choro... (When I cry...)


Quando caio, aprendo a levantar. Quando me sento, aprendo a descansar. Quando olho ao lado, aprendo com quem me acompanha. Quando choro, aprendo quanto vale uma lágrima. Quando sujo a folha, tomo ciência de minha ignorância. Quando conheço o gosto do pó, sei quanto vale a caminhada. Quando vou embora, posso mensurar o valor da saudade. Quando aprendo, tomo ciência de quão vastos é o universo. Quando falo com Deus, vejo o quanto nada vale o ouro, a prata o poder. Quando olho a natureza, percebo quão grande é minha família e os amigos que me acompanham. Quando vejo quem pratica a partilha, mais entendo o que é felicidade. Quando abandono por um instante meus vícios, mais percebo o quanto preciso da sobriedade e de mim mesmo. Quando olho meu irmão com os olhos do coração, consigo ver suas fraquezas e entender um pouco melhor seus passos. Quando ouço uma linda canção, entendo o valor da matemática somada à sensibilidade. Quando choro com a mãe atingida pela perda de seu filho amado pela violência, menos entendo a existência das armas. Quando vejo a marcha dos desesperados sem rumo, menos entendo a palavra irmandade. Quando vejo a euforia da ganância sem fim, mais interiorizo o que a bíblia quis dizer. Quando sinto falta do canto dos pássaros, percebo que a ciência poderia mais fazer. Quando percebo o silenciamento das vozes, mais vejo a necessidade do grito dos que podem ainda gritar. Quando vejo livros queimados, mais percebo a falta da história. Quando ouço pais sendo insultados, mais vejo que estamos indo para o abismo. Quando a solidão das povoadíssimas metrópoles invade cada coração, mais vejo o valor de um bom dia, um abraço ou muito obrigado, até!... Quando vejo que o sol começa a se apagar, vejo que é hora de andar, porque há milhares de estrelas por aí, e cada uma delas é um caminho, e caminhar é preciso...
Marcio de Lima
Guarapuava, 25 de agosto de 2018.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2018


Vi em uma janela um par de olhos curiosos.
Quando se perceberam notados, fizeram-se fugidios.
Há muito tenho percebido isso.
Se ao menos viessem acompanhados de uma boca sorridente, ficaria menos blue em andar por aí...
Marcio Lima

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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Paz e medo...

Nunca tive tanta insegurança…
Estou com medo do vazio que ronda minha vila.
Do silêncio e do silenciamento dos que gritam pelos mais fracos…
Fico preocupado quando ouço sussurros compreendidos como linguagem cotidiana, como linguagem de poder, como esperança de reorganização num caos sem fim…
Tenho medo do autoflagelo que tem desandado a tantos ermos.
Nunca tive tanto medo antes…
Vejo o rio andando em sentido contrário, esvaziando a vida que ali insiste em continuar seu intento…
Gostaria de te ser direto e desvelar o que vejo. Mas, a racionalidade não me deixa… Preocupa-me o desequilíbrio de tudo aqui. Uma fome sem fim, um desejo estranho de morte de muitos, de ver o outro e a si mesmo sofrendo.
Quanto egoísmo, quanta ganância!!!
Estou vendo aos poucos a palavra se esvaziar, a razão ceder lugar à raiva e à loucura insana…
Olho ao céu e as estrelas e planetas fazendo cada um a sua parte, imperando harmonicamente… Fico a imaginar, seremos algum dia estrelas ou planetas? Ou seremos só um pozinho a vagar pelo espaço… Sei que esta hipótese deveria me dar um medo maior ainda… Mas não sei por que, deu-me uma certa paz… Pois sei que no fim a paz impera… Às vezes demora, mas sim ela impera…
Márcio J. de Lima
Guarapuava, 05/08/2018.
Do blog devaneios literários do Lima

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Entre preces e orações...


Entre notas e canções,
Entre preces e orações,
És meu Senhor!
Senhor do Amor.

Entre pobres filhos Teus,
Habitais ali ó meu Deus!
 
Entre o cobre que se perdeu,
O pecado em apogeu...

Estou aqui!
Bem junto a ti!
Eu retornei!

És a vida em abundância!
Sempre amor,
Tu és constância,
Palavra amiga,
Um bom conselho.
Tu dizes: Siga!
Tu és meu filho!
És meu amor!
Eu sei quem És!
És meu Senhor!
Senhor do Amor.

Marcio J. de Lima

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Arroz, feijão, arte e macarrão... (Rice, beans, art and pasta...)

Minha carne precisa de arroz,
Minha mente de memórias,
Meu saber de histórias,
Pra ser eu, nós dois...

Meus dias, precisam de movimento,
Meus sonhos entrelaçados ao vento,
Seus beijos a saciar nosso amor,
A aliviar a inevitável e ensabecedora dor...

Preciso das prosas de quem amo,
Dos olhares de quem respeito,
Do amor do Ser a quem clamo,
E alivia, ao Seu olhar, meus naturais defeitos...

Preciso do mundo sem fronteiras,
Do caminhar livre pelas ruas,
Do fruto doce que nasce das palmeiras,
Das doces palavras a escorrer da boca sua...

Preciso do saber da história que se desenha,
Sentir as artes que se exibem, não só nos salões,
Mas nas praças, parques e jardins e onde se tenha,
Ânimo para receber o novo, a tocar muitos corações...

Quero saborear a deliciosa maresia,
Provar do ar de cada vale e montanha,
Quero misturar o belo da natureza à alegria,
Provar o frescor da noite, com a força da manhã...

Quero degustar os versos de Baudelaire,
Temperados cuidadosamente com pequi,
Não sorvê-los com a pressa de um self-service qualquer,
Mas com a sutileza que há muito não se vê aqui...

Quero a democracia na cozinha,
Nas bibliotecas, museus e nos campinhos,
Quero um poema em cada esquina,
Um passo à frente e esperança que não se definha...

Quero alma, corpo e coração juntos,
Todos eles em paz e bem nutridos,
Cada um produzindo seus frutos,
E de todo egoísmo e preconceitos despidos...
Marcio J. de Lima
Guarapuava, 18/06/2018.



quinta-feira, 21 de junho de 2018

Vizinha... Inesperada vizinha de outrora


Uma visita que se fez vizinha...
Um dia a paixão entrou em minha porta.
Sentou-se, pediu um café, arrumou um cantinho na sala e repousou...
Gostou tanto de ficar a contar histórias tão estranhas, que hoje reside em um puxadinho criado só pra ela, e visita-me diariamente... Não conta mais histórias, mas recita-me inesperadamente, bem juntinho de meu ouvido, quase sussurrando, os mais inspiradores e belos poemas...
Marcio Lima
07/06/2018, Guarapuava.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Meme...

Fico a esperar um meme que descreva tão solenemente o ódio que carrego em minhas entranhas...
Espero um miraculoso meme que me console dando-me a ânsia do êxtase em derrubar meu opositor. Que apoie meu desejo de ver o caos que se esconde em meus recônditos pensamentos...
Quero um meme que me explique todos os mistérios da ciência e do universo, quiçá...
Quero um meme de patuá que me proteja quando eu estiver distraído.
Quero um meme para deixar meus neurônios de molho.
Quero um meme que servirá de carne pendurada em uma vara, e esta como seta, a este zumbi que carrega meia dúzia em suas costas.
Quero um meme que me explique minhas contradições, minhas contramãos, minhas decepções.
Quero um meme, um novo tóten, um novo espelho, um druida vazio de conselhos... Quero um meme como flecha, arco, clava rugosa...
Quero um meme que me dispense daquele grossíssimo livro, daquele filme de Almodóvar, daquele quadro da Divina Comédia pendurado na parede...
Quero um meme que me faça feliz, inerte, autômato... E quando ele se fizer concreto, olharei a ele discretamente... Agradecerei... agradecederei... agradecederei... agradecederei...
Marcio J. de Lima
Devaneios literários do Lima
Guarapuava, 30/05/2018

https://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/?m=1

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Ah, o tempo... amigo tempo...

Existem algumas coisas que só mesmo o tempo para nos ensinar.
Com o tempo descobrimos que na vida tem coisas que não vale a pena se preocupar, pois elas são do jeito que são. A princípio perdemos horas, dias, anos gastando energia com situações que não mudam e isso leva nosso precioso tempo, que poderia ser investido em empreitadas que dessem mais alegria e satisfação ao nosso viver.
Também descobrimos que alguns pensamentos precisam ser mudados, pois eles nos impedem de nos abrirmos ao novo, de ver o mundo de forma diferente. Com esse nosso amigo, vemos a necessidade do confronto de ideias para amadurecermos em nossos pensamentos e quiçá, em nossa alma.
Com o correr dos anos, começamos a nos ver em outras pessoas, a empatia deveria já ter ocorrido há muito tempo atrás, pois vermos nossas fraquezas espelhadas no irmão faz enxergarmos as nossas. E entender nosso semelhante é muito importante para que pratiquemos algumas ações que nos fazem crescer, como o perdão, a piedade a solidariedade e muitos outras que enriquecem nosso viver...
Pois é, essas são algumas coisas boas que o tempo nos traz, mas com certeza traz muito mais, e uma delas é o prazer de uma manhã ensolarada, em uma praça qualquer, poder correr com os netos e abraçá-los a todos com a consciência que isso sim vale a pena... E se não os tivermos, podemos correr com nossos amigos de pelo, eles também nos ajudam e muito, estranhamente eles nos humanizam...
Guarapuava, 05/06/2018

http://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/2013/03/letras-que-se-pretendem-um-poema.html?m=1

Sempre tive medo de ser quem não era,

Sempre tive medo de ser quem não era, Hoje, peça do Absoluto, enfim me escuto; Há algo em meu peito que se desespera, Pois de tudo que vivi,...