segunda-feira, 29 de março de 2021

“Oração de São Francisco”.

 “Oração de São Francisco”.

Senhor,
Fazei-me instrumento de vossa paz.

Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado;
compreender que ser compreendido;
amar, que ser amado.

Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.
Amém.


Disponível em: https://www.nossasagradafamilia.com.br/conteudo/oracao-de-sao-francisco-de-assis-oracao-pela-paz.html

sábado, 27 de março de 2021

Caía tudo lá fora...

Caía tudo lá fora

A árvore duramente enraizada

A ponte forte e calculada

O homem duro e inflexível

O cachorro bravo e ladino

Mas aqui era calmaria


Caía tudo lá fora

O regime duro e autoritário

A lei inflexível e injusta

A máscara dura e ranzinza

A falta de respeito e amor

Mas aqui era calmaria


Caía tudo lá fora

A torre de puro aço

A mentira eregida na praça

O discurso raivoso, sombrio

O egoísmo solitário e vazio

Mas aqui era calmaria


Caía tudo lá fora

O relógio, o tempo, o desespero

A lua, júpiter, o redondo da terra

As armas, o ódio, a guerra

A dor, a flor não colorida, a ferida

Mas aqui era calmaria


Mas aqui era calmaria

Enquanto

Caía tudo lá fora


Marcio Lima


sábado, 20 de março de 2021

Pessoas em mim...



Quando juntei a multidão que existia em mim

Senti, mais do que o nunca que em meu peito habita

Contando a cada rodar dos dias estórias sem fim.

Um lutar por o mundo mais vivo, pelas liberdades que coração milita...


Quando a multidão que habita em mim saiu às ruas

Já não havia mais verdades escondidas

Nem falsos sóis, sabendo-os que eram luas

Não havia verdade que não pulasse à frente, mesmo as reconditas.


Nunca havia percebido a riqueza de cada eu

Quiçá de fatos tão corriqueiros, faça-se a luz

E brotem de afagos tão puros de um mundo que quase se perdeu

Lembrando que tudo já foi justificado no madeiro de uma cruz.


Eus tão diversos, ora tão equilibrados, ora turbilhões

Ora um poema, ora uma ode brotada por descuido

Espalhadas como se espalha esperança por aviões

Lembrando ainda que o viver em criatividade é um ato fortuito...


Converjam eus que vivem em meu interior

Cada detalhe daquele jardim

Que existe no centro aquela linda flor

Que às vezes responde pelo nome de amor...

(Marcio Lima)


http://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/?m=1

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#poesiabrasileira #diadapoesia #literaturabrasileira #literaturaparanaense

sábado, 13 de março de 2021

Pura ilusão...








De tanto viver no amanhã 

Não havia percebido 

Que tinha ido longe demais...

Há muito vivia um não-viver...

O que chamava de chão

Era a mais pura ilusão...

(Marcio Lima)


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sábado, 6 de março de 2021

Oito de Março. Dia das Mulheres. Uma homenagem do blog... (March 8. Women's Day. A tribute from the blog)...

 


A cada mulher que anda por aí

Que carrega nas costas a dor de tantos ofícios

A marca de cicatrizes de lutas diárias

Que são felizes, ou que buscam sem cessar a felicidade

A toda Maria, Alice, Josefa, a todas que acreditam na vida

No poder da vida, na força do amor

Que lutam, lutas tão suas, nos palácios, nos casebres, nas ruas...

A cada mulher que busca seu espaço

Que cuida dos filhos, do trabalho, da casa, dos escritórios, de seus amores, 

Das dores dos outros, dos seus temores...

A tantas mulheres, hoje rendo a minha homenagem,

O meu pedido de desculpas pelos meus desrespeitosos e históricos preconceitos...

Por não me perceber tão igual, embora com tantos defeitos...

A todas as mulheres, rendo meu carinho neste dia especial...

Que um dia, quiçá, possamos todos sentados nos mesmos lugares

Respirando os mesmos ares, possamos quiçá,

Testemunhar um mundo mais justo, um mundo mais irmão

Todos iguais em direitos e obrigação

Sem dúvida nenhuma, sendo assim,

Possamos a todos/todas chamarmo-nos
de irmão...


Feliz dia das Mulheres!




Esta é uma singela homenagem a todas as mulheres do Blog Devaneios Literários do Lima


Imagem obtida em: https://pixabay.com/pt/vectors/silhueta-ado%C3%A7%C3%A3o-fam%C3%ADlia-diversa-3580600/



Matemática é vista em tudo que se toca ou imagina...


Tenho certeza

E até o dedo aponto

Que nesse mundo nada é exato

Eu de cálculo e caderno

Os números conto

Até que o Pi um número que não acaba

E assim vai ao infinito, enfim chato...

Me cochicha segredos que todos buscam

Matemática é vista em tudo que se toca ou imagina

Eu fico aqui a imaginar qual a fórmula que define Romeu e Julieta

As histórias sem fim de Cherazade medidas por nenhuma ampulheta

Os números das vezes que Quixote arriscou sua vida por sua amada Doroteia...

Quantas luas e ângulos, obtusos ou não, confusos ou convergindo ao tangenciamento infinito...

Oh estrelas definidas e esticadas nesse mapa astral, sendo poesia, fórmula ou um simples delírio na calda de um cometa qualquer, ou na poltrona de alguém...

Sopros, suspiros, aspas e flores, fórmulas e amores, soma, divisão, subtração, multiplicação se não foram motes dos poetas então me diga o que são...

(Marcio Lima)


Crédito da imagem atribuída a: https://pixabay.com/pt/illustrations/geometria-matem%C3%A1tica-cubo-hexaedro-1023846/

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Um zum...




Não há como ser pleno 

           sendo um...

É ser uma ligeira passagem

           Sendo um zum...

(Marcio Lima)


Imagem obtida em: https://pixabay.com/pt/photos/rel%C3%B3gio-de-bolso-tempo-de-areia-3156771/

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Cansei dessa estrada








         Cansei dessa estrada.

Hoje decidi fazer as minhas placas...

         A estrada estaria lá...

Mas, o carro, 

         quem pilota, 

          sou eu.


**Marcio Lima**

Imagem disponível em: https://pixabay.com/pt/photos/escudo-estrada-nam%C3%ADbia-864746/





domingo, 14 de fevereiro de 2021

Gostoso...


 Gosto de manhã suave

De orvalho nos pés

Da fruta colhida no pé

Saudade do virado no fogão de barro

Do leite fresco no jarro

Do gostoso amargo café 

Misturado ao seu aroma de mulher...

Das noites à lua admirar

De escutarmos a estrondosa força do mar

Gostosos são seus beijos...

Saudades dos artesanais bolos, doces, queijos...

As crianças buscando no quintal,

Até nos pesares, alto astral,

Superação, aprender...

Natureza, inocência, amor, respeito, a ordem natural...

Ah, quando de uma estrela escorre um verso, celebrado com taças de efêmero prazer...

O viver neste paraíso

Sem pecado, regozijo...

Que gostoso é poder, a vida, celebrar

Poder, a cada dia, sonhar

Ver, em pequenos milagres, tesouros

Na sala, no sofá, cheiro de incenso, bálsamo a purificar nossos pesadelos

Nossos desalentos, os tropeços santos de cada dia...

Ah, que gostoso poder transformar o universo em poesia

Cada queda, cada obstáculo em alegria...

Marcio Lima

sábado, 30 de janeiro de 2021

Os olhos das senhorinhas


      











  Por esses dias fui a um consultório e comigo além da atendente havia duas senhorinhas, todas as presentes, de máscara. Por tanto nosso primeiro contato além do 'bom dia" foi pela expressão dos olhos. Uma tinha o sorriso e a ternura refletidos no olhos. Outra, um olhar ressequido, investigativo de quem não confia em nada. Enquanto esperava por minha receita, a de olhar alegre puxou assunto sobre a vacina contra o Covid. Estava preocupada e ansiosa pois queria estar imunizada logo. Eu também expressei que essa também era minha vontade. A senhorinha falou da lotação dos hospitais, das crianças que voltariam às aulas. E emendado os assuntos, falou para mim que não entendia como podia tantas mulheres engravidarem na pandemia pois era grande o risco de contaminação por Covid e como as mesmas poderiam manter um pré natal adequado etc e tals. Eu apenas sorria, tecia um "pois é" um " humhum". A outra senhorinha, falou alto do canto do balcão, num tom de rancor: 
_E essas mães solteiras? Porque têm filhos solteiras?
Eu disse:
_ Porque os pais abandonaram seus filhos.
 Ela não ouviu, ou fingiu que não ouviu e continuou gesticulando seus magros braços:
_ Elas tem filhos desse jeito porque quiseram, porque querem dinheiro do governo, porque são um bando de vagabunda, blá, blá, blá...
Olhei bem para a senhorinha ressequida e como se eu tivesse visão de raio -x percebi o quanto estava desnuda de humanidade. Percebi que a mesma era tão vítima quanto qualquer outra mulher e reproduzia cegamente o que com certeza, aos gritos a fizeram acreditar. E aos longos dos seus aparentes 70 anos, essa era a verdade que ela conhecia. Voltei meus olhos para a senhorinha falante e feliz, ela se silenciou diante do rancor da outra. Passou a puxar assunto sobre o tempo, mas sem perder a alegria do olhar, falava doa dias chuvosos com a certeza da vida que a água faz brotar.
Recebi meu receituário, agradeci a atendente, despedi-me das senhorinhas e saí com uma bruta pena de quem ficou. Pena da senhorinha feliz que teria que ser paciente para escutar tanto maldizer e pena da velhinha cheia de ódio e preconceito, filha de um machismo de raízes tão profundas quantos as rugas de sofrimento de seu rosto, que jamais perceberia ternura e a alegria nos olhos de quem estava em sua companhia naquele momento.

Jaqueline de Andrade Borges

O blog agradece à autora por autorizar a publicação do texto.

Sempre tive medo de ser quem não era,

Sempre tive medo de ser quem não era, Hoje, peça do Absoluto, enfim me escuto; Há algo em meu peito que se desespera, Pois de tudo que vivi,...