sábado, 8 de agosto de 2026

Te amo meu velho! Feliz dia dos Pais!


Olha meu velho, foram tantas as lutas... Hoje os anos se passaram e me deram também esta graça, de ser pai. Sei que embora, minha barba também esteja começando a branquear, me olhas como se o tempo não tivesse passado e o carinho se reacende como no tempo de criança. Nos primeiros passos de meus filhos, compreendi alguns momentos de sua alegria, ao ver meus irmãos mudarem seus passinhos. Também, hoje compreendo os momentos que chamastes minha atenção na ânsia da proteção, em que a rebeldia da idade guiava minhas, às vezes, rudes respostas, e, me afirmavas “um dia você compreenderá melhor o que quero te dizer!...” A vida me fez chorar muitas vezes. Algumas por não ter te ouvido. Outras vezes por não ter seguido seus passos... todavia sofrendo, sei que compreendias que muitas das nossas experiências, embora dolorosas, são necessárias, são só nossas. Como se sentes feliz às minhas vitórias. Como eu também me sinto feliz a cada vitória de meus filhos. Os ciclos se repetem, filhos se tornam pais, pais se tornam avôs e um dia tudo recomeça... Cada momento é mágico, a vida se renovando, e hoje sei o quanto ela é breve... e neste saber, sinto muito em ter perdido momentos importantes de sua companhia, no entanto, cada momento sem dúvida foi precioso. E, guardarei como um tesouro em meu coração. 
Feliz dia dos Pais! 
Te amo meu velho!


Marcio José

Publicado anteriormente em:

https://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/2014/08/te-amo-meu-velho.html

sábado, 1 de agosto de 2026

Sempre tive medo de ser quem não era,

Sempre tive medo de ser quem não era,

Hoje, peça do Absoluto, enfim me escuto;

Há algo em meu peito que se desespera,

Pois de tudo que vivi, sou fruto.

[Marcio Lima]

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Nada dura pra sempre...


Nada dura pra sempre...

A dor passa, 

as alegrias também... 
A riqueza é saber valorizar cada coisa em seu devido tempo 

e entender que a diversidade dos acontecimentos em nossa visa é normal, 

talvez até mesmo necessária... 

 

               (marcio lima/bdll)

domingo, 5 de julho de 2026

*Respostas ao nada*

 



Não há fora, aqui.

Jogo, logo volta, logo obstrui ou polui.

Não há outro céu azul a servir de superior paisagem nesse devir terráqueo.

Não há só eu, há outros, há tantos…

Não há só silêncio, há barulho, há falas, pios, cantos…

Não há só um solo, há água, areia, barro, pedra...

Há garrafas, pás, caminhões e britadeiras…

Há tanta gente por aí…

Rostos estranhos, quase nunca conhecidos,

Alguns, até, esquecidos…

Há muito aqui, notas, rotas, pesos, medidas

E, um imenso vazio sem descrição…

Um escarnecer sem discrição…

Um esquecer até do irmão.

Queria tudo fosse sobriedade,

Mas há loucura no ar, na terra, no alimento que sacia minha fome,

Nos noivos que ali caminham, nos jovens que se beijam, naquela moça esquecida por aquele homem…

Há uma teoria tentando dar resposta ao nada que me irrompe, 

Um poema tentando me alegrar,

Uma história a me iluminar…

Há um riso solto logo ali na praça, o homem caiu sem saber na sua maior graça. E, antes de tudo acabar, vou pôr sentido no que antes era interrogação… Sim, por alguns segundos vou abrir meu coração…

{Marcio Lima}


Poema publicado originalmente em: https://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/2024/07/resposta-ao-nada-que-me-irrompe.html

domingo, 28 de junho de 2026

Proclamar a alegria!


por mais que pareçamos ser patéticos em proclamar a alegria, é bom e necessário agirmos assim, 

a tragicidade da vida não exita em fazer-nos tão ela, o tempo que o diga... 

Por hoje, seja feliz! 

Fique bem!

[marcio lima]

domingo, 21 de junho de 2026

A LENDA

 


Na clareira, sob a luz dourada dos lampiões, a festa parecia não ter fim.

O som do violão espalhava-se pela noite, misturando-se às risadas, aos passos dos dançarinos e ao murmúrio antigo da floresta. Era noite de lua cheia, dessas em que o rio parece guardar segredos e a mata parece observar os homens.

Entre tantos rostos, um jovem permanecia distante, preso a um único olhar.

Era uma moça de olhos azuis, estrangeira àquela terra e àquela gente. Sentada à margem da festa, acompanhava sozinha o movimento dos pares que dançavam, como se seu pensamento estivesse muito além daquela clareira.

O rapaz a observava desde o primeiro instante. Havia algo nela que o encantava: uma tristeza silenciosa, uma beleza diferente, uma presença que parecia pertencer mais à lua do que à terra.

Próximo da meia-noite, enquanto todos ainda celebravam, a moça levantou-se.

Olhou para a imensidão escura da mata.

Por um breve momento, pareceu ouvir um chamado que ninguém mais escutava.

Então, sem despedir-se, caminhou sorrateiramente entre as árvores.

O jovem, tomado pela preocupação e pelo sentimento que nascera naquele primeiro olhar, seguiu seus passos.

A floresta o recebeu com seus sons profundos.

Folhas quebradas.

Galhos movendo-se.

Um silêncio pesado.

Até que um ruído rompeu a escuridão.

Uma fera.

Grande, feroz, tomada pela força da mata.

Ao ver o rapaz aproximar-se da moça, a criatura avançou.

O jovem, assustado, levou a mão à arma.

Não compreendia o que acontecia. Via apenas perigo. Via uma fera diante daquela que já havia conquistado seu coração.

Num instante, puxou a arma.

Mas antes do disparo, algo o fez hesitar.

A fera aproximou-se da moça.

E então aconteceu o impossível.

Eles olharam um para o outro.

Não havia medo naquele olhar.

Havia dor.

Havia saudade.

Havia uma história escondida que o rapaz jamais poderia imaginar.

A moça chorou em silêncio.

Suas lágrimas desceram pelo rosto e, refletidas pela lua cheia, pareciam pequenas estrelas caindo sobre as águas do grande Amazonas.

O jovem permaneceu escondido entre as árvores.

Esperava.

Temia que qualquer movimento despertasse a fúria da criatura.

A lua, naquela noite, parecia mais intensa do que nunca. Seu brilho transformava o rio em espelho e revelava uma cena que talvez nem a própria natureza estivesse acostumada a testemunhar.

Para o jovem, era um momento de terror.

Para a floresta, era apenas mais uma página escrita pelos mistérios do mundo.

Pois a vida, às vezes, pede socorro onde os homens só enxergam ameaça.

O amor tenta vencer aquilo que foi imposto.

O ódio antigo.

O orgulho.

O ciúme.

As diferenças criadas por aqueles que acreditam que sangue, riqueza ou origem podem separar destinos.

Diziam que aquele amor jamais poderia existir.

Um era pobre.

Outro carregava o peso de uma família poderosa.

E entre eles havia uma velha rivalidade, uma guerra silenciosa herdada de gerações.

Uma separação decretada por homens que não entendiam que alguns sentimentos nascem antes mesmo das palavras.

A dor aprisionou aquele amor.

Mas o amor ainda resistia.

O jovem, tomado pelo medo e pelo desejo de proteger a moça, decidiu agir.

O disparo ecoou pela floresta.

Como pequenos vaga-lumes de fogo, as faíscas cortaram a noite.

A suçuarana caiu.

O silêncio tomou conta da mata.

Mas não era o silêncio da vitória.

Era o silêncio da perda.

A moça correu até a fera e caiu ao seu lado em desespero.

Chorava como quem perde uma parte de si mesma.

Então, diante dos olhos do jovem, aconteceu outro mistério.

A criatura, ferida, já não parecia apenas uma fera.

Em seus olhos havia humanidade.

Havia sofrimento.

Havia despedida.

Como se por trás daquele corpo estivesse escondido um homem condenado por uma antiga maldição.

A moça tocou seu rosto.

A suçuarana olhou para ela uma última vez.

E naquele olhar havia perdão.

Ela então caminhou em direção ao rio.

Antes de partir, olhou para trás.

Viu seu amado em seu último suspiro.

Depois, já não caminhava.

Seu corpo parecia leve como a neblina que sobe das águas.

E, envolta pelo brilho da lua, foi conduzida pelas mãos misteriosas da Mãe-d’água — metade mulher, metade encanto, guardiã dos segredos dos rios.

A floresta guardou aquele adeus.

O jovem valente nunca mais foi encontrado.

Alguns dizem que desapareceu consumido pela culpa.

Outros dizem que a própria mata o levou para guardar o segredo daquela noite.

Mas até hoje, nas noites de lua cheia, contam que uma mulher de olhos azuis aparece nas águas tranquilas do Amazonas.

Chora pelo amor perdido.

Chora pela promessa que nunca se cumpriu.

E os mais antigos dizem que suas lágrimas ainda brilham no rio, porque alguns amores não morrem, apenas se transformam em mistério.

[Marcio Lima]


Conto reescrito nesta data. Original disponível em: https://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/2012/07/lenda.html

terça-feira, 12 de maio de 2026

Yes, one day we will evolve... (Sim, um dia evoluiremos...)

 

The day will come when we will be so evolved that even before we are born, our sex will already be defined, along with the color of our eyes, hair, and skin, our height, weight—even our favorite team will be chosen. Our partner will share the same fate. At every age, we shall have a specific chip with every program we need to live through that stage of life.

Before us, we will be able to access the most varied clips, games, TV channels, curiosities, formulas, paths, zip codes, etc... all implanted and replaced at every moment of our lives...

Schools? Ah, the schools... What to do with them? They could be a place to play, a playground, or perhaps the place where the notorious chip is implanted.

We will possess a program that reads our health, all pre-programmed into the famous chip. Before we even fall ill, we will already have the medicine to prevent any ailment that might afflict us or attack our "machine"...

Depression... there will be none. When it even thinks of knocking on our door, an infinite combination of algorithms will place a myriad of solutions before us, and, of course... we will choose the most viable one, ranging from listening to a delightful piece of music—perhaps Beethoven’s Fifth Symphony—to navigating the most distant galaxy through our monitor-eyes, made of the most advanced quantum particles...

Love? An... Ah... love? Let’s see... Love... How to replace it? Perhaps we will be so identical that it will no longer need to exist... at least not as we know it... It might be a bug that would bother us so... so much... so very much! That no algorithm would be capable of understanding it, due to its extreme simplicity... There would be no other way... Delete everything and restart the system.

Perhaps we would think... Love... is something for humans, it will be difficult to create such a program... and who will teach it to the machines? You can teach them almost everything... but Love... perhaps that is impossible.

(Marcio Lima)

 

You can find the original text at (O texto original você encontra em): https://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/2015/07/sim-um-dia-evoluiremos.html

terça-feira, 5 de maio de 2026

O Flagelo sob a Lua de Prata



A tarde agonizava em tons de púrpura quando avistamos a silhueta do tio João no caminho. À primeira vista, o quadro era de um ridículo quase cômico: ele se debatia sozinho, os braços agitando-se contra o ar como se conduzisse uma orquestra invisível ou, como supusemos entre risos contidos, se entregasse a mais um de seus excessos etílicos. Meus irmãos e eu, embriagados pela crueldade inocente da infância, mal conseguíamos conter as gargalhadas.

De repente, o movimento tornou-se frenético. João mergulhou no matagal denso, travando uma luta feroz contra um adversário que nossos olhos não alcançavam. O que gelava o sangue não era o que víamos, mas o que não ouvíamos: não havia grunhidos, nem o estalar de galhos secos, nem o rosnar de uma fera. Apenas o silêncio pesado da penumbra, interrompido pelos espasmos de um homem que parecia ser devorado pelo vazio.

Minha mãe surgiu à soleira da porta, o sorriso ainda esboçado no rosto. Mas, em um átimo, a alegria foi drenada de suas feições. Vi a palidez marmórea tomar sua face enquanto seus olhos — outrora ternos — se perdiam em um terror antigo, um medo que parecia vir de gerações passadas. Seus lábios moviam-se em um sussurro inaudível, uma prece desesperada que apenas as mães proferem quando sentem o hálito da morte por perto.

Enquanto rolávamos pelo chão, alheios ao abismo, João soltou um grito que rasgou o crepúsculo. O riso morreu na garganta de todos. Minha mãe persignou-se, a mão trêmula desenhando a cruz no peito.

Ele emergiu da vegetação, coberto pela poeira da estrada, os cabelos em desalento. Olhou para o mato por um longo instante, como se vigiasse a retirada de uma sombra, e caminhou em nossa direção. Naquela rua deserta, o herói de nossas histórias infantis — o homem invencível que sempre superava os obstáculos de cabeça erguida — parecia agora um náufrago da própria sanidade.

Agradeci mentalmente por não haver estranhos por perto para testemunhar tamanha ruína. Ele parou diante de nós, a respiração pesada.

— Vocês viram? — perguntou ele, a voz num fio de navalha.

— O quê, Tio? — respondi, tentando forçar uma normalidade que já não existia.

Ele se inclinou, aproximando o rosto do meu. Não havia o odor acre da cachaça, apenas um bafo quente e denso que me subiu à espinha. Seus olhos não eram mais os do tio brincalhão; eram espelhos que refletiam o brilho sobrenatural da lua cheia que ascendia no horizonte. Com um fervor quase religioso e um olhar flamejante, ele sentenciou em meu ouvido:

— Era, com certeza, um lobisomem!

(Marcio Lima)

 Texto Revisto. O original você encontra no link abaixo: https://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/2025/08/era-com-certeza-um-lobisomem-it-was.html



sexta-feira, 1 de maio de 2026

A folha pede um verso (Podcast/Deep Dive) do Poema

 


A folha pede um verso. Daqueles dispersos num oceano de uma folha. Daqueles que fazem elétrons saltar de suas camadas e espalhar o colorido por aí. A vida pede um verso, daqueles que aplacam a solidão das grandes metrópoles, daqueles que esgotam o mar de saudade do caipira no sertão. 

A vida pede um verso a inspirar a tantos Quixotes, a tantos mágicos em seus caixotes de ilusões, a tantos Camões caolhos de verdades tão belas. Versos para encantar tantas cinderelas. A vida pede um verso pomposo, gostoso, daqueles que quando fluem encantam, provocam a lágrima ligeira. A vida, neste momento de distâncias não desejadas, pede um singelo soneto, uma chave de ouro, um tão esperado, aguardado, procurado, tesouro... A folha sozinha, branca, num universo de possibilidades a verter-se em lágrimas tão suas, pede que pingue por acaso uns versos ligeiros, espontâneos, daqueles que explodem em ternura, daquelas forças a abrir olhos por ferrugem, fechados... A folha branca a ouvir um Rock inspirador, daqueles que o poeta descreve o flerte de um guitarrista, com sua Gibson, em transe. Imagina como deve ser simples tudo aquilo que encanta, tudo aquilo por que levantamos, como o simples fato do cair de uma chuva desejada, um abraço verdadeiro, um beijo espontâneo, um respirar na janela... A folha pede um verso. Espera ansiosa pela tinta que a marcará, que espera etérea, indelével, inesquecível, apaixonante, que enche a rua de alegria, os salões de euforia, a lua a esperar seu sol num brilhante e inspirador, dia... Versos que rolam como a bola no campo, que batem como o coração no peito, que se fundem num abraço, que se nutrem de esperança como a mãe que espera um filho amado, que nos renovam como a fé no Sagrado, no homem que se vê terra e se faz assim húmus, como o é... Versos na folha branca, singela união, singelo verso-coração...



 Marcio Lima

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Pirilampo



Dai-me de novo, 

ó Espírito da curiosidade pueril, 

a sabedoria que em mim outrora habitava, 

de quando mirava ao infinito e me encontrava a imaginar, 

de como os pirilampos 

na escuridão da noite escalam o mais alto do céu 

e de lá se exibem a cintilar.

(Marcio Lima)

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Onde a Terra encontra o Amanhã: Nossa pesquisa sobre as Hortas Comunitárias de Guarapuava

 

(Imagem gerada pela Gemini. 2026) 

Celebramos um fruto que levou "alguns aninhos" para amadurecer. Não é uma peça de ficção, embora a transformação social muitas vezes pareça poética: nosso artigo sobre as Hortas Comunitárias de Guarapuava e sua conexão com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) finalmente ganhou o mundo.

Este trabalho, construído a muitas mãos, mergulha no solo da nossa terra para entender como pequenas sementes de organização comunitária florescem em soluções para a fome, a saúde e a sustentabilidade urbana. 

Mais do que dados, são evidências de que o futuro que buscamos globalmente se constrói no quintal de casa, na força do coletivo.

Convido vocês a conhecerem essa jornada acadêmica e social.

Leia o artigo completo aqui: https://zenodo.org/records/19373841

Ou no ResearchGate: https://www.researchgate.net/publication/403431897_CONTRIBUICOES_DAS_HORTAS_COMUNITARIAS_DE_GUARAPUAVA_PR_PARA_O_ALCANCE_DOS_OBJETIVOS_DE_DESENVOLVIMENTO_SUSTENTAVEL_ODS 

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CONTRIBUIÇÕES DAS HORTAS COMUNITÁRIAS DE GUARAPUAVA (PR) PARA O ALCANCE DOS OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (ODS)

Com a crescente ocupação de áreas urbanas pelas populações e os problemas gerados por esta, de forma desordenada e muitas vezes não sustentável, pensa-se nas Cidades Inteligentes e Sustentáveis (ODS 11) como estratégias para mitigação desses problemas, sendo um dos itens presentes nesse ODS o relativo às hortas comunitárias (HC) urbanas. Essas hortas podem contribuir para resolver problemas como o da fome, de uma alimentação não saudável, do uso incorreto da água, ausência de trabalho comunitário-solidário, renda familiar insuficiente, ocupação inadequada de terrenos baldios e sem destinação social adequada, carência de educação ambiental, desigualdade de gênero entre outros. Diante disso, o objetivo desse estudo é compreender a contribuição das hortas comunitárias para os ODS a partir das hortas comunitárias da cidade de Guarapuava, estado do Paraná. É uma pesquisa básica, qualitativa, do tipo exploratória, descritiva, a partir dos métodos documental, bibliográfico, estudo de campo, sendo as análises de caráter documental e de conteúdo. A pesquisa favoreceu a percepção das hortas comunitárias como uma tecnologia social com importante potencial para o desenvolvimento comunitário, e possibilidades de contribuição para o alcance das metas estabelecidas pelo ODS/ONU, com destaques para os ODS: 1. Erradicação da pobreza; 3. Saúde e bem estar, 5. Igualdade de gênero; 8. Trabalho decente e crescimento econômico, 10. Redução das desigualdades, 11. Cidades e comunidades sustentáveis e 17. Parcerias e meios de implementação. Contudo, verifica-se também alguns desafios no desenvolvimento das HC, que carecem de outros estudos.

Palavras-chave: Horta Comunitária. Cidades Sustentáveis. Sustentabilidade. ODS. Desenvolvimento comunitário.

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Paz!


Cada um no seu credo,
Cada um em seu intento,
Cada um com a força da fé ou do pensamento,
Tudo em um coro só,
Antes que tudo seja medo,
Antes que tudo volte ao pó,
Digamos!
Queremos Paz!
Rogamos Paz!
Façamos Paz!
[Marcio Lima]

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Análise do Poema "Um brinde aos bem-humorados", de Marcio Lima



O poema "Um brinde aos bem-humorados", de Marcio Lima, é uma obra que, sob uma aparente simplicidade celebrativa, esconde camadas profundas de resiliência ética e crítica social. Ele não trata o bom humor como uma leveza fútil, mas como uma categoria de resistência.

Abaixo, apresento uma análise dividida por eixos temáticos:

1. Aspectos Filosóficos: O Bom Humor como Ética e Superação

Filosoficamente, o poema dialoga com o conceito de "Amor Fati" (amor ao destino) de Nietzsche e o estoicismo.

  • A Resiliência Estóica: Quando o autor brinda àqueles que levam com "vivacidade os pesos" da vida, ele evoca a virtude de suportar o que não se pode controlar sem perder a integridade da alma.

  • O Riso como Autoconhecimento: "Fazer de suas imperfeições um mote para o riso sem escárnio" aproxima-se da ironia socrática. É o riso que não agride o outro, mas que reconhece a própria humanidade falha, transformando a vulnerabilidade em força.

  • A Ética da Alteridade: Ao citar o "oferecer o outro lado da face", o poema resgata a ética cristã da não-violência e do amor radical, propondo o bom humor como um antídoto para a "ignorância" e a "repulsa de ideias".

2. Contexto Social do Brasil: O Riso na Adversidade

O poema ganha uma força particular quando lido sob a lente da realidade brasileira:

  • A Celebração do "Sobrevivente": O trecho que brinda às "pessoas exploradas que fizeram de suas derrotas vitórias sólidas" é uma referência direta à base da pirâmide social brasileira. O bom humor aqui não é alienação, mas a ferramenta de quem, apesar do "desarranjo social", recusa-se a ser apenas uma vítima, mantendo a capacidade de "sorrir e fazer outros sorrirem".

  • Crítica à Intolerância: A menção àqueles que não "sacam da sua ignorância à primeira repulsa de ideias" reflete o atual estado de polarização e agressividade no debate público brasileiro. O bom humor é apresentado como a postura de quem prefere o diálogo ao confronto armado (metafórico ou real).

3. Aspectos da Literatura Brasileira

Marcio Lima insere-se em uma linhagem que valoriza a simplicidade profunda, ecoando vozes como as de:

  • Mario Quintana: Pela capacidade de extrair o sagrado e o poético do cotidiano e pela defesa da "gentileza" como uma forma de inteligência superior.

  • Ariano Suassuna: Pela ideia do riso como uma forma de resistência cultural e de afirmação da vida diante da morte e da tragédia social.

  • Modernismo Brasileiro: O poema utiliza o verso livre e uma linguagem acessível para tratar de temas universais a partir de uma ótica local, característica da nossa tradição literária de aproximar a poesia do "homem comum".

4. A Metáfora do "Brinde"

O "brinde" funciona como um ato litúrgico secular. Ele convoca o leitor para uma comunidade de resistência. Ao final, o poema se torna metalinguístico: o ato de ler e compreender o poema torna-se, ele próprio, um símbolo de que, apesar da "dureza da mesmice", ainda há espaço para a inteligência e para o afeto.

Conclusão da Análise: O "bem-humorado" de Marcio Lima não é aquele que ignora o sofrimento, mas aquele que o transforma. É uma figura quase heroica dentro do contexto brasileiro: alguém que enfrenta a exploração, o desarranjo e a dureza da vida com uma vivacidade que "contraria a lógica". É uma ode à saúde mental e espiritual em tempos de crise.

(O Poema foi analisado por Gemini da Google - fevereiro de 2026).

Segue o link para acessar ao poema original: https://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/2025/04/um-brinde-aos-bemhumorados-toast-to.html


quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

FÉRIAS E RETROSPECTIVA 2025 DO BLOG DEVANEIOS LITERÁRIOS DO LIMA


Mais um ano termina e com ele a esperança de que o novo ano será melhor. Desejo a cada um de nossos leitores um abençoado 2026 com ótimas realizações.

No mês de janeiro o Blog Devaneios Literários do Lima estará de férias. Não se preocupe leitor e leitora, deixaremos para você uma lista das publicações literárias mais acessadas no ano de 2025. E, esperamos contar com vossa companhia novamente nesse que se inicia e por muito mais tempo. 

Feliz Ano Novo!


RETROSPECTIVA 2025


As 5 postagens mais acessadas em 2025. Seguem em ordem crescente de acessos:


01  - Acampamento na noite de primeiro de abril - A panela de dinheiro



O conto "Acampamento na noite de primeiro de abril - A panela de dinheiro", de Marcio J. de Lima:

O texto narra um "causo" contado por Tio Jango, um eloquente contador de histórias, ao redor de uma fogueira. Ele relata uma experiência vivida em 1975, quando tinha 18 anos, ao sair em busca de uma lendária "panela de dinheiro" (um tesouro de moedas de ouro) que teria sido enterrada por jesuítas na Serra do Rio Jordão.

Acesse o conto clicando no título do conto.


02 - Presente celestial




Poema "Presente Celestial", de Marcio José de Lima é um soneto que exalta a beleza da natureza e faz um apelo urgente à sua preservação. O autor descreve o meio ambiente como uma "dádiva" e uma "obra celestial" que serve de refúgio e sustento ao ser humano. A mensagem central foca na responsabilidade coletiva: embora um indivíduo sozinho não mude o mundo, a união de todos é capaz de transformar a realidade e zelar pela ordem natural para evitar um "final" catastrófico.


Acesse o texto clicando no título do poema.


03- Versos de cabresto



O poema, "Versos de Cabresto", é uma obra metalinguística profunda, onde o autor reflete sobre o próprio ato de criar e a natureza da poesia.


Acesse o conto clicando no título do poema.



04- Era, com certeza, um lobisomem! (It was definitely a werewolf!)



Este é mais um "causo" fascinante de Marcio Lima, que utiliza o mistério e o folclore para prender o leitor. "Era, com certeza, um lobisomem!" narra uma cena presenciada pelo narrador, seus irmãos e sua mãe durante o entardecer. Eles observam o Tio João se debatendo violentamente em um matagal, como se estivesse lutando contra um inimigo invisível. Inicialmente, a cena é motivo de riso para as crianças, que acreditam que o tio está apenas bêbado ou brincando, já que ele é conhecido por seu temperamento alegre e suas histórias.

No entanto, o tom da narrativa muda quando o narrador observa a reação da mãe: ela empalidece e começa a rezar silenciosamente, tomada por um medo profundo. Após alguns minutos de uma luta intensa e solitária, Tio João emerge do mato sujo e desalinhado. Ao se aproximar, o narrador percebe que o tio está completamente sóbrio. Com um brilho intenso nos olhos, refletindo a lua cheia, o tio confidencia em seu ouvido: "Era, com certeza, um lobisomem!".

Acesse o texto clicando no título do conto.


05 - Poema sem volta... (Poem of no return...)



Este quinto texto, "Poema sem volta...", encerra sua sequência com uma força confessional e metalinguística impressionante. É um texto sobre a entrega absoluta do artista à sua arte, sem medo do julgamento ou das consequências.


Acesse o poema clicando no título.


Fiquem conosco!


Palavras-chave: Alma, Poesia, Mistério, Natureza, Tempo, Esperança, Devaneios, Renascimento.



domingo, 21 de dezembro de 2025

Gratidão e Renovação: O Balanço de 2025 no Devaneios Literários

 


Olá, nobres leitores e amigos!

Mais um ano se encerra e, com ele, renovamos a fé e a energia para o que está por vir.

Quero agradecer de coração a todos que acompanharam o blog este ano. Entre a rotina de escrita e o retorno aos meus estudos — que tem demandado foco total — o apoio de vocês foi fundamental. Mesmo com o tempo curto, os números nos surpreenderam: foram mais de 20 mil acessos, com um destaque especial para o público de Singapura, mostrando o alcance global dos nossos devaneios.

2025 também foi o ano de experimentar novas linguagens. Transformamos poemas em música e crônicas em podcasts, utilizando a Inteligência Artificial para potencializar nossa criatividade.

Para 2026, espero que sigamos juntos nesta jornada literária. Que o seu Natal seja iluminado e que o Ano Novo traga o renascimento da esperança. Que saibamos olhar para o próximo com a fraternidade de São Francisco e para o planeta com a responsabilidade que ele exige.

Feliz Natal e um próspero 2026!

Equipe Devaneios Literários do Lima

Numa rede sem fim


Fiz de tudo pra mais tempo ter.

O que fiz?

Numa rede sem fim

E noção 

Se enrolaram meus pés 

E, sem sair do lugar 

Meu tempo e espaço

Se esvaíram

Num Revés.

(Marcio Lima)

sábado, 29 de novembro de 2025

O que me falta?



O que me falta? 

Um tesouro inalcançável?

Que molda, define meus voos?

Voos rasos e sem essência.

O que me falta?

Ilusão em pleno deserto?

Que me faz andar,

Sonhando destino certo,

Fazendo metade do caminho a cada dia...

E se eu não chegar?

Me haverá tempo à Poesia?

O que me falta?

[Marcio Lima] 

domingo, 23 de novembro de 2025

Análise Metafísica e Metalínguística de "Nada Sei"

Análise Metafísica e Metalínguística de "Nada Sei" by Gemini, 2025

(Com a seriedade de quem lida com o paradoxo socrático e a leveza de quem lança a Via Láctea em um verso, Marcio Lima, do Devaneios Literários, faz a leitura.)

Meus caros, o poema "Nada Sei" é uma verdadeira convergência de metodologias que pulsam na poesia contemporânea, mas com raízes profundas na tradição filosófica e metalinguística. Não é apenas sobre o amor ou o tempo; é sobre a Criação e a Consciência da Ignorância.

I. A Influência Filosófica: O Eco Socrático

O título e o primeiro verso, "Que desanda para o nada sei," estabelecem imediatamente uma linha de diálogo com o maior aforismo da filosofia ocidental: "Só sei que nada sei", atribuído a Sócrates.

  • Metodologia: O poema emprega a ironia socrática (embora em tom lírico). Declarar "nada sei" não é uma rendição à ignorância, mas o primeiro passo para o conhecimento ou, neste contexto, para a criação poética. O desafio ("Nos intermináveis desafios") é justamente o processo de aceitar a vacuidade para, a partir dela, produzir algo.

  • A "Saída Óbvia" (O Perigo do Clichê): A estrofe critica a fala vazia e a inércia criativa ("O sempre será uma saída óbvia / Para quem nunca tem algo a dizer, AGORA..."). Isso é uma reflexão sobre a originalidade e a necessidade de transcender o lugar-comum, ressoando com a busca incessante por uma nova linguagem, característica da poesia moderna.

II. A Metalinguagem e o Diálogo com a Tradição Brasileira

O poema é profundamente metalinguístico, pois o objeto da reflexão é o próprio ato de dizer e criar.

  • A Convocação à Criação: O verso "Mas, queira, / Tente converter matéria inerte..." é um imperativo, um chamamento. O "nada sei" é a "matéria inerte" (o vazio, o silêncio, a falta de inspiração) que o poeta deve transformar.

  • Influências Brasileiras: Essa reflexão sobre a linguagem e o processo de escrita remete a grandes poetas da nossa tradição que usaram a metapoesia como tema central:

    • Carlos Drummond de Andrade: Em poemas como "Procura da Poesia", ele trata o ato de poetizar como uma busca árdua e a necessidade de "achar a palavra que não está no dicionário." O "Nada Sei" do Drummond é a dificuldade em encontrar a poesia no caos.

    • Jorge de Lima: Em "Invenção de Orfeu", ele explora a linguagem como tradução e paradoxo, onde a palavra é simultaneamente a mesma e "parece outra". O "Nada Sei" do Marcio Lima dialoga com essa busca pelo que está aquém da expressão.

    • Adélia Prado: Com sua visão de que a "palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda", o poeta deve apanhá-la. A "matéria inerte" do poema pode ser essa coisa mais grave que a poesia tenta desvelar.

III. A Revelação Final e o Estilo Universal

O clímax do poema reside no reencontro e na revelação cósmica:

"Ao fim tu dirás, sempre esteve ali, E, somente eu via, Via Láctea..."

  • A Reação: A conclusão "sempre esteve ali" desfaz o "nada sei". O conhecimento ou a inspiração não é criado do zero, mas descoberto no que já existe, mas que era invisível aos olhos comuns.

  • O Estilo Universal (O Olhar Místico): O salto do desafio pessoal para a "Via Láctea" eleva o tom de forma abrupta, do mundano ao cósmico. Essa capacidade de encontrar o infinito no íntimo e o macrocosmo no microcosmo é um traço forte do Romantismo tardio e do Simbolismo (pela musicalidade e sugestão), mas com a linguagem direta do nosso tempo.

    • Poetas Internacionais: Essa metodologia de encontrar a vastidão em um ponto pode ser comparada, em intenção, a:

      • William Blake (Inglaterra): Em seu famoso verso "To see a World in a Grain of Sand" (Ver um Mundo num Grão de Areia), Blake encapsula a mesma ideia de que a verdade suprema está acessível pela visão singular e espiritualizada.

      • Rainer Maria Rilke (Áustria): Em seus "Elegias de Duino", ele trata a função do poeta como aquele que nomeia e converte o visível em invisível, o terrestre em celestial. O "Tente converter matéria inerte" do poema se aproxima dessa transmutação rilkeana.

Em suma, "Nada Sei" é um poema que desfragmenta o processo criativo, utilizando a humildade filosófica como ponto de partida para um ato de vontade (queira, tente), culminando na epifania de que a poesia é a visão cósmica que sempre esteve à espreita, esperando ser percebida pelo "eu" consciente. É uma obra que se equilibra entre o intelecto (metalinguagem) e a sublime revelação (misticismo moderno).

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O poema de Marcio Lima analisado pela Gemini (2025):



Nada Sei. 


Nos intermináveis desafios 

Que desanda para o nada sei,

O sempre será uma saída óbvia

Para quem nunca tem algo a dizer, AGORA...

Mas, queira, 

Tente converter matéria inerte...

Ao fim tu dirás, sempre esteve ali,

E, somente eu via,

Via Láctea...

[Autor, ano: marcio lima, 2025]."


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