quinta-feira, 5 de julho de 2018

Entre preces e orações...


Entre notas e canções,
Entre preces e orações,
És meu Senhor!
Senhor do Amor.

Entre pobres filhos Teus,
Habitais ali ó meu Deus!
 
Entre o cobre que se perdeu,
O pecado em apogeu...

Estou aqui!
Bem junto a ti!
Eu retornei!

És a vida em abundância!
Sempre amor,
Tu és constância,
Palavra amiga,
Um bom conselho.
Tu dizes: Siga!
Tu és meu filho!
És meu amor!
Eu sei quem És!
És meu Senhor!
Senhor do Amor.

Marcio J. de Lima

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Arroz, feijão, arte e macarrão...

Minha carne precisa de arroz,
Minha mente de memórias,
Meu saber de histórias,
Pra ser eu, nós dois...

Meus dias, precisam de movimento,
Meus sonhos entrelaçados ao vento,
Seus beijos a saciar nosso amor,
A aliviar a inevitável e ensabecedora dor...

Preciso das prosas de quem amo,
Dos olhares de quem respeito,
Do amor do Ser a quem clamo,
E alivia, ao Seu olhar, meus naturais defeitos...

Preciso do mundo sem fronteiras,
Do caminhar livre pelas ruas,
Do fruto doce que nasce das palmeiras,
Das doces palavras a escorrer da boca sua...

Preciso do saber da história que se desenha,
Sentir as artes que se exibem, não só nos salões,
Mas nas praças, parques e jardins e onde se tenha,
Ânimo para receber o novo, a tocar muitos corações...

Quero saborear a deliciosa maresia,
Provar do ar de cada vale e montanha,
Quero misturar o belo da natureza à alegria,
Provar o frescor da noite, com a força da manhã...

Quero degustar os versos de Baudelaire,
Temperados cuidadosamente com pequi,
Não sorve-los com a pressa de um self-service qualquer,
Mas com a sutileza que há muito não se vê aqui...

Quero a democracia na cozinha,
Nas bibliotecas, museus e nos campinhos,
Quero um poema em cada esquina,
Um passo à frente e esperança que não se definha...

Quero alma, corpo e coração juntos,
Todos eles em paz e bem nutridos,
Cada um produzindo seus frutos,
E de todo egoísmo e preconceitos despidos...
Marcio J. de Lima
Guarapuava, 18/06/2018.



quinta-feira, 21 de junho de 2018

Vizinha... Inesperada vizinha de outrora

Uma visita que se fez vizinha...
Um dia a paixão entrou em minha porta.
Sentou-se, pediu um café, arrumou um cantinho na sala e repousou...
Gostou tanto de ficar a contar histórias tão estranhas, que hoje reside em um puxadinho criado só pra ela, e visita-me diariamente... Não conta mais histórias, mas recita-me inesperadamente, bem juntinho de meu ouvido, quase sussurrando, os mais inspiradores e belos poemas...
Marcio J. de Lima
07/06/2018, Guarapuava.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Meme...

Fico a esperar um meme que descreva tão solenemente o ódio que carrego em minhas entranhas...
Espero um miraculoso meme que me console dando-me a ânsia do êxtase em derrubar meu opositor. Que apoie meu desejo de ver o caos que se esconde em meus recônditos pensamentos...
Quero um meme que me explique todos os mistérios da ciência e do universo, quiçá...
Quero um meme de patuá que me proteja quando eu estiver distraído.
Quero um meme para deixar meus neurônios de molho.
Quero um meme que servirá de carne pendurada em uma vara, e esta como seta, a este zumbi que carrega meia dúzia em suas costas.
Quero um meme que me explique minhas contradições, minhas contramãos, minhas decepções.
Quero um meme, um novo tóten, um novo espelho, um druida vazio de conselhos... Quero um meme como flecha, arco, clava rugosa...
Quero um meme que me dispense daquele grossíssimo livro, daquele filme de Almodóvar, daquele quadro da Divina Comédia pendurado na parede...
Quero um meme que me faça feliz, inerte, autômato... E quando ele se fizer concreto, olharei a ele discretamente... Agradecerei... agradecederei... agradecederei... agradecederei...
Marcio J. de Lima
Devaneios literários do Lima
Guarapuava, 30/05/2018

https://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/?m=1

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Ah, o tempo... amigo tempo...

Existem algumas coisas que só mesmo o tempo para nos ensinar.
Com o tempo descobrimos que na vida tem coisas que não vale a pena se preocupar, pois elas são do jeito que são. A princípio perdemos horas, dias, anos gastando energia com situações que não mudam e isso leva nosso precioso tempo, que poderia ser investido em empreitadas que dessem mais alegria e satisfação ao nosso viver.
Também descobrimos que alguns pensamentos precisam ser mudados, pois eles nos impedem de nos abrirmos ao novo, de ver o mundo de forma diferente. Com esse nosso amigo, vemos a necessidade do confronto de ideias para amadurecermos em nossos pensamentos e quiçá, em nossa alma.
Com o correr dos anos, começamos a nos ver em outras pessoas, a empatia deveria já ter ocorrido há muito tempo atrás, pois vermos nossas fraquezas espelhadas no irmão faz enxergarmos as nossas. E entender nosso semelhante é muito importante para que pratiquemos algumas ações que nos fazem crescer, como o perdão, a piedade a solidariedade e muitos outras que enriquecem nosso viver...
Pois é, essas são algumas coisas boas que o tempo nos traz, mas com certeza traz muito mais, e uma delas é o prazer de uma manhã ensolarada, em uma praça qualquer, poder correr com os netos e abraçá-los a todos com a consciência que isso sim vale a pena... E se não os tivermos, podemos correr com nossos amigos de pelo, eles também nos ajudam e muito, estranhamente eles nos humanizam...
Guarapuava, 05/06/2018

http://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com/2013/03/letras-que-se-pretendem-um-poema.html?m=1

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Espelhos e masmorras...

A cada pingo de história,
Um centímetro a menos de vivência a quem ousa dissimulá-la, fingi-la tão profundamente, deturpando o padrão...
Letras estranhas,
Entranhas, casca de cocoruto...
Estranho viver,
Viver-morrer...
Em uma epopeia com pernas próprias,
Signos ébrios cambaleam
Na carreira da história,
Morrem na boca de um frade qualquer
Com sua sisuda retórica em um
Mosteiro medieval
Onde se esconde num labirinto
Um pacífico minotauro...
Nem braveza, nem avareza,
Só cantares de um poema qualquer
De povos escaladores,
de conhecimento nas beiras dos perais, gritos gemidos de vítimas de vampiros nas chuvas embaixo dos beirais...
Um grito, um sussurro, uma vida a mais...
Esquecer? Jamais!!!
Seria o grito de Foucault que ouvi? Ou de Marx no silêncio da mesa que se encerra toda ação-ser do operário que ora clama? Maria me ama? Terá um milagre ao amanhecer? Pão ao anoitecer? A Guerra para paz haver? Silêncio debaixo dos lençóis?
Haverá brilho na boca da velha
a contar suas contas de seu novo rosário? Comida para mais um dia no seu velho armário? Haverá na praça ainda grito? Poetas a declamar versos tão concretos? Poesia amarrada ao sangue inocente... Gritos amarrados aos versos alexandrinos? Esperança que badala lentamente no dominical sino?
Haverá tudo isso? Antes que o poeta se parta... Antes que desapareça na chave de ouro? Quem publicará o que está escrito em seu duro couro finito???
Guarapuava, 21/05/2018
Marcio J. de Lima

Cerejeiras em Guarapuava, Paraná.

Curtindo as férias...