quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Esperança...

"Quando tudo parece não haver saída, clamo aos céus, donde há de vir..." Parou por aqui. Não lhe vinha mais inspiração. A professora havia trabalhado com a temática "esperança" a manhã toda, mas não lhe vinha nada à cabeça. Pensava e concordava com a professora, pois achava que se tivesse algo que lhe incomodasse poderia escrever melhor... Mas, mesmo assim havia-lhe no peito um vazio. Percebeu, talvez, que as coisas em sua vida estavam bem. Eram poucas palavras, não podia passar de dez linhas, podendo se resumir a uma frase. Pensar em algum problema da família poderia inspirá-lo, pensou. No entanto não havia nada de tão importante que não estivesse no campo das possibilidades de encontrar uma solução de forma racional. Achou que essa "esperança" que a mestra havia falado era algo maior. Pensou na fome que assola alguns países da África. No entanto,  também lembrou da fome de alguns do seu país, as injustiças de preconceitos aos montes contra pobres, mulheres, gays e tantos outros... Talvez aí esteja o motivo para escrita, imaginou...  "Tenho esperança de que o mundo um dia possa evoluir e que possamos viver sem preconceito contra qualquer pessoa..." Apagou a primeira frase e deixou esta última. 
Não entendia muito bem em seu cerne o que era preconceito, só parafraseava o que acabara de ter lido. Apagou tudo de novo. Achou bonito o que escreveu, mas se tivesse que defender tal ideia não saberia muito como fazer, pois nunca havia sofrido algum preconceito... Pelo menos, não saberia dizer com convicção se tinha ou não. E tinha ética o bastante para não enrolar os outros com que realmente não fazia parte de sua vida, de seu saber... 
Voltou ao caderno... "Tenho esperança de um dia não ter que falar de preconceito e que todas as pessoas sejam como eu... simplesmente felizes..." Olhou para professora, não quis mais pensar. Pôs o nome na folha, ponto final e muitos dias com um leve incômodo que se repetia a todo momento... O que é esperança? O que é preconceito? 
Marcio J. de Lima, Guarapuava, Paraná.
19/11/2017.

http://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com.br/2011/10/passional.html?m=1

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

De tantos desentortos...

De tantos desentortos...
Fiz de meus sonhos pequeninões... Outrora minguadinhos
Motivos que povoam meus
Versos e canções...
Marcio J. de Lima

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O Segredo...

E o grande bicho batia em minha porta... Sem saber a cor dos seus olhos e ouvir os seus uivos, cubro-me, apertando o travesseiro velho fortemente sobre meus ouvidos. Entro embaixo da cama. O bicho não irá embora... Nem O Segredo me ajudará... A noite se findará, meus conceitos, não!
Marcio J. de Lima
http://devaneiosliterariosdolima.blogspot.com.br/2011/10/o-ato-de-escrever.html?m=1

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Desejos proibidos...

Gabriel pegou o seu minguado salário. Metade ficaria já no mercadinho para pagar suas contas. O restante mal daria para suas despesas. Nos finais de semana fazia bicos  na construção para completar sua renda. Sua esposa vendia roupas, perfumes, fazia artesanato e se virava na cozinha para poupar ao máximo. Seus dois filhos Joaquina e Feliciano eram bem cuidados, estudavam e ajudavam nos afazeres de casa. Gabriel mal tinha concluído o primário. Deixou a escola muito novo para se dedicar ao trabalho, pois seu patrão não o dispensava mais cedo para conseguir chegar a tempo na escola... Seu desejo era ver seus filhos criados e voltar a estudar e fazer direito. 
O tempo passou... os dois filhos, com muito sacrifício, formaram-se na faculdade. Depois casaram-se. Gabriel decidiu voltar aos estudos, iria fazer o curso que sempre sonhara, filosofia, deixaria o direito para mais tarde... Fez a  preferência por filosofia que quase o levara ao seminário. Passou no vestibular. Era uma alegria só. Nos primeiros dias de aula, muito feliz desfilando pelos corredores da Universidade com seus colegas de sala, avistou Ritinha, uma antiga namorada,  a última antes de conhecer sua esposa. Ritinha não mudara nada, estava mais bonita ainda. Tinha um corpo e uma pele de dar inveja a muitas adolescentes. Olhou-o com um sorriso largo no rosto. Sem jeito, retribuiu. Os dois se cumprimentaram e seguiram seus caminhos. O ano se passou e se viam sempre pelos corredores. Ela um dia o parou. Conversaram, relembraram do passado. Confidenciou que estava viúva já fazia três anos. Seu esposo havia falecido de aneurisma. Ela disse que depois dele, foi seu segundo amor. O que fez disparar o coração de Gabriel. Ficaram amigos. Nos intervalos das aulas ficavam junto. Uma paixão, como brasa sob as cinzas, retornou ao coração de Ritinha... Certo dia, retornando para casa a pé, viu uma caminhonete branca parar ao seu lado. O vidro se abriu. Era Ritinha. Com um largo sorriso no rosto, disse a Gabriel "entre aí, te dou uma carona." Ficou meio sem jeito, mas aceitou. Ritinha ardia de paixão, quase não tirava os olhos de Gabriel, o que o deixava sem jeito...
A mão gelada de Ritinha passou levemente na perna de Gabriel, o qual não resistiu. Neste momento, Gabriel tornou-se uma presa fácil. Por um momento, o mundo se apagou na sua cabeça. O pensamento remeteu-o à sua família. A culpa incendiava seu coração. Mas não esboçou reação. Ritinha já a este momento beijava o seu peito. Seria o pecado a desvia-lo de um caminho de serenidade que vivera até ali? Ritinha ia mais longe e acariciava as partes íntimas de Gabriel. Este de olhos fechados, sentia-se anestesiado. Ela aproxima seus lábios em seu pescoço vagarosamente e estende sua língua arrepiando-o inteirinho, como se ainda desse uma chance à sua presa, começa a soltar  suas presas brancas e pontiagudas, agora imensas, tal qual uma víbora... Seu amado, sua rês... 
O tempo corre à frente de Gabriel, passa um filme em sua cabeça... seu primeiro beijo em sua esposa, suas vitórias e derrotas a dois passam em sua frente. Mas nenhuma de suas lembranças o despertaram tanto, quanto a lembrança do olhar azul celeste de sua pequena, a filha mais nova, redesperta-o, o amor paterno... Em um sobressalto Gabriel, abriu a porta do carro e saiu... Como que carregado por seu anjo...  Nunca mais ousou pôr os olhos em seu passado... E viveu feliz para sempre junto de seu verdadeiro amor... Todavia, em noites muito quentes, aqueles pares de presas o assombram, assim como aquela gelada língua a roçar os seus mais sórdidos e recônditos desejos proibidos....

Marcio J. de Lima
28/10/2017






quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Tenho esse negócio de amar...


Tenho esse negócio de amar...
Cada dor disso é um suplício que se pede pra viver...
Tenho marcas no peito que insistem em ser tatuagens indeléveis.
Tenho sonhos estranhos de acordar ao lado de uma vivente todos os dias até o fim deles...
Sinto-me paupérrimo sem aquele serzinho de carne e osso que povoa meus devaneios.
Sou um eco de esquecimentos tão presentes, 
de poemas mal recitados, 
de cartas que chegam sempre atrasadas, 
de amores utópicos, 
de contos de fadas, 
de romances-românticos, 
de árvores marcadas com símbolos de amor eterno, 
de sins de noivas no altar e de noivos a desmaiar... 
Tudo isso gritando silenciosamente ao meu  quasimorfo modo de amar...
Sou a formosa e linda flor que brota, em um lugar inesperado,  do  putrefato húmus. 
De  inteiros, sou o terço da moçoila casadoira, de eflúvios em frias noites de luar. 
Sou um olhar, que busca o mar, de uma moça à procura de amar, 
nem que seja a última coisa que faça em seu dia sem graça 
- só amar...
Marcio J. de Lima, Guarapuava, 11/09/2017.

Imagem obtida em: https://pixabay.com/pt/rosa-arbusto-r%C3%B6schen-1687884/

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A natureza...





Créditos à professora Jaqueline de Andrade Borges. Lindas fotos.
Um pouco de sensibilidade e uma câmera em mãos podem produzir um ótimo trabalho. Lindas fotos de fato...

Esperança...

"Quando tudo parece não haver saída, clamo aos céus, donde há de vir..." Parou por aqui. Não lhe vinha mais inspiração. A professo...