quinta-feira, 5 de abril de 2018

Estranha dor!


Batam à porta do céu!
Tentem pôr significado nesta estranha dor!

Anjos, querubins, camelos do deserto, corujas dos campos

ou reveses de um sonhador!

Fiquem me olhando, olhem atentamente... 
Minha dor é real?

Podes crer que a necessidade de representá-la, tão menos, é manha...

Fique aí sentado, tal vazio, que procura preencher meus dias!

Quiçá, seja ele, a trazer, em seus potes dourados, poesia?

Tenho neste momento um medo... pois nem a lascívia prosódica de uns mil versos proclamados em meus ouvidos dão-me prazer...

Blasfemo com um intento de dar vida a palavras...

O que, no mínimo, ousadia, seria...

Tentar neste líquido que pinta a sólida folha, buscando alma,

Buscando em uma manhã ensolarada, um pouco de calma,

Buscando em cada vivente ser um abrigo, um amigo,

E balbuciando nas ruas, quando inteligível, a insigne, talvez infame de Poesia...

Marcio J. de Lima

(29/12/2018)

Fonte da imagem: pixabay

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